A construção da minha trajetória educacional é fruto de caminhos que me atravessaram de forma muito especial, inesperada. Cada ambiente, cada criança, cada rotina e cada desafio participou da formação da profissional que sou hoje. Minhas vivências na Educação Infantil — tanto como auxiliar quanto durante os estágios da graduação — revelaram o poder do cuidado, da escuta, do brincar e das pequenas descobertas cotidianas.
Aqui compartilho essa trajetória, que começou com uma oportunidade, ganhou forma no dia a dia escolar e continua sendo lapidada a cada novo encontro.
Minha primeira vivência profissional aconteceu na escola EMEI IARA MARTINS, no município de Imbé/RS, de junho a novembro de 2019, onde atuei por cerca de seis meses como Auxiliar de Educação no Maternal II. Mesmo sendo um período curto, foi nele que tudo começou a fazer sentido. Ali, tive meu primeiro contato real com o universo da Educação e da Educação Infantil — e foi ali também que ouvi alguém me chamar de “Prô” pela primeira vez.
Esse momento marcou profundamente minha identidade docente. No Maternal II, pude vivenciar a rotina escolar com crianças que estavam descobrindo o mundo por meio dos primeiros passos de autonomia. Acompanhei momentos de brincadeiras, acolhimento, trocas, choros, conquistas e um cotidiano repleto de afeto.
Essa experiência despertou em mim a certeza de que a Educação Infantil é um espaço de formação integral, onde o cuidado e o ensino caminham lado a lado.


Após essa primeira vivência, passei a trabalhar na escola EMEI JARDELINO PERONI, no município de Imbé/RS, onde permaneci por 2 anos e 6 meses também como Auxiliar de Educação, de dezembro de 2019 a junho de 2022. Dessa vez, atuei no Maternal I, com crianças ainda mais novas, que exigiam um olhar atento, sensível e profundamente humano.
Foi um período de grandes aprendizados. No Maternal I, o cuidado se tornou parte essencial da prática pedagógica: auxiliar na alimentação, acompanhar a troca de fraldas, orientar a higienização, ajudar no processo de desfralde, organizar o momento do descanso — o famoso horário da “naninha” — e até arrumar o cabelo das meninas antes das atividades ou da saída.
Além das rotinas de cuidado, participei do desenvolvimento das atividades próprias dessa faixa etária, muitas delas voltadas à psicomotricidade, à exploração sensorial, à construção da autonomia e às primeiras interações comunicativas. Cada sorriso, cada conquista e cada avanço, por menor que fosse, reforçava minha compreensão sobre a importância dessa fase da infância.


Essa vivência consolidou minha certeza de que ensinar vai muito além de transmitir conteúdos: envolve presença, paciência, acolhimento e vínculo.
Com o início da minha graduação no CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI – UNIASSELVI, no segundo semestre de 2020, meu olhar sobre a Educação Infantil começou a se aprofundar. Os estudos trouxeram novos referenciais, teorias e possibilidades de atuação, o que se refletiu diretamente nos estágios curriculares realizados durante o curso.
Foi nesse período que passei a compreender, com mais clareza, a importância do conhecimento pedagógico, da observação e das abordagens que respeitam o ritmo natural de cada criança.
O primeiro estágio aconteceu na escola EMEI SONHO DE CRIANÇA, no município de Tramandaí/RS, na turma do Pré B4, com 23 crianças de idade média aproximada de 05 anos. Essa experiência articulou o uso do lúdico com elementos inspirados nas propostas de Maria Montessori e Reggio Emília.
Nessa etapa, pude observar e aplicar práticas que valorizam a autonomia, a exploração, a criatividade e a participação ativa da criança em seu processo de aprendizagem. O brincar era o principal meio de construção do conhecimento — e cada atividade trazia intencionalidade, propósito e acolhimento.
Foi possível presenciar a interação entre as crianças, auxiliando a realização das atividades dos colegas que possuíam alguma dificuldade na resolução. Dificuldades que procurei auxiliar no período que estive frente a sala de aula.


O segundo estágio foi realizado na escola EMEF ERINEO SCOPEL RAPAKI, no município de Tramandaí/RS, na turma do 2° ano, em uma sala composta por 19 alunos com média aproximada de idade de 07 anos. Nessa vivência, aprofundei ainda mais a abordagem montessoriana, explorando princípios como autonomia, movimento livre, ambiente preparado e o papel do educador como guia.
A convivência com crianças um pouco mais velhas permitiu que eu percebesse como as bases construídas na Educação Infantil se transformam nas próximas etapas, fortalecendo a capacidade de resolução de problemas, a responsabilidade e a independência. O mesmo ficou evidente quando essa base não é realizada com a eficiência necessária que os pequenos necessitam.


Em virtude da localidade da escola, ficou evidente a necessidade de professores interessados, respeitosos e empáticos que levem esse saber de uma forma atrativa contribuindo que todo esse conhecimento que será agregado no decorrer das fases escolares da criança, venha não só contribuir de maneira cognitiva e intelectual, mas também na formação de cidadãos prontos para se sobressair em sociedade.
O terceiro estágio também ocorreu na escola EMEF ERINEO SCOPEL RAPAKI, e trouxe uma perspectiva completamente diferente das experiências anteriores. Nele, tive a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho da orientadora, da supervisora e da direção, observando o funcionamento da escola como um organismo vivo, onde cada setor atua de forma integrada para garantir um ambiente educativo de qualidade.
Nesse período, vivenciei a rotina administrativa, participei de reuniões com pais, acompanhei processos organizacionais e compreendi como decisões, planejamentos e ações coletivas impactam diretamente o trabalho dos professores e o desenvolvimento das crianças.
Esse estágio ampliou meu olhar para além da sala de aula: mostrou-me a importância da gestão escolar humanizada, da comunicação clara entre equipes e da construção de uma cultura pedagógica coerente, que apoia e fortalece toda a comunidade escolar.
Cada experiência ao longo da minha trajetória — desde o primeiro contato com o maternal, passando pelos anos de prática diária com os pequenos, pelos estágios que uniram teoria e prática e, por fim, pela vivência na gestão escolar — contribuiu para construir a profissional que sou hoje. Em cada escola, em cada turma e em cada orientação recebida, encontrei novos olhares sobre a infância, novas formas de acolher, ensinar e aprender.
O primeiro trabalho me apresentou a beleza do cotidiano na Educação Infantil; o segundo consolidou minha paixão pelo cuidado, pela rotina e pelo desenvolvimento integral das crianças; os estágios me aprofundaram teoricamente e me desafiaram a aplicar diferentes metodologias; e o estágio na gestão ampliou minha compreensão sobre todo o ecossistema escolar.
Esses caminhos, somados, moldaram minha prática pedagógica com sensibilidade, responsabilidade e intenção. Hoje, trago comigo a certeza de que cada experiência foi essencial para me preparar para novas oportunidades e para continuar construindo, com amor e dedicação, uma educação que respeita o tempo da criança, valoriza o brincar e promove um crescimento significativo.
Minha trajetória ainda está apenas começando — e sigo caminhando com o coração cheio de gratidão e a alma inspirada para continuar transformando vidas através da educação.
Um novo se aproxima, cheio de possibilidades.
Assim como na educação, cada novo ciclo é uma oportunidade de aprender, evoluir e transformar realidades com cuidado e dedicação.
Agradeço sua visita e desejo que o próximo ano seja leve, inspirador e repleto de bons caminhos.
Feliz Ano Novo! Feliz 2026!

