Sobre Mim - Professora Gabrielle

Meu nome é Gabrielle Maia Pôrto. Sou mulher, negra, casada, filha, irmã, educadora por vocação e apaixonada pela educação infantil e especial. Tenho 36 anos e trago comigo uma história construída com simplicidade, coragem, dedicação e um profundo amor pelo que faço. Hoje, mais do que apresentar meu caminho, desejo compartilhar quem sou, o que me move e por que escolhi a educação infantil como a missão da minha vida.

Nasci em Taquari, no Rio Grande do Sul, em uma família humilde, mas extremamente batalhadora. Meus pais sempre foram o meu maior exemplo: trabalhadores incansáveis, que nunca permitiram que faltasse algo dentro de casa e que sempre colocaram a educação como prioridade absoluta. Cresci em um lar acolhedor, com valores fortes, com respeito, união e amor em cada detalhe do cotidiano. Sempre fui muito protegida, daquelas meninas que não saíam muito de casa, mas que recebiam dos pais todo o apoio necessário para estudar, aprender e sonhar.

Tenho dois irmãos: um mais velho, Alisson, e o mais novo, Lucas, que tem Síndrome de Down. Lucas, especialmente, foi uma das maiores luzes da minha vida — e sem dúvida um dos pilares da minha vocação como professora. Em uma época em que a internet ainda engatinhava e o acesso à informação era difícil, meus pais buscavam em livros e materiais impressos maneiras de entender e ensinar o Lucas. Eu cresci acompanhando esse esforço, vendo o amor deles diante das dificuldades, tentando sempre aprender como ajudá-lo. Foi ajudando meu irmão, observando suas conquistas diárias, suas limitações e, principalmente, sua forma pura e amorosa de enxergar o mundo, que aprendi que todas as pessoas têm potencial e beleza própria. Foi com ele que entendi, pela primeira vez, que ensinar é, antes de tudo, um ato de amor. E que inclusão não é um termo técnico, e sim um exercício diário de empatia e compreensão.

Meu irmão Lucas e Eu

Lucas, meu irmão, é uma das maiores inspirações da minha vida. Ele é o caçula, carinhoso, cheio de abraços, cheio de manias, repetindo frases que só ele entende e que se tornaram parte da nossa rotina familiar. Sempre foi muito apegado a mim, sentiu muito quando me mudei, e até hoje, com suas ligações inesperadas e cheias de amor, me lembra diariamente o valor da família. Foi acompanhando seus desafios, seus avanços e a busca constante dos meus pais por conhecimento que aprendi, ainda adolescente, que ser diferente não é um problema — é apenas parte natural da vida. Ele me ensinou sobre empatia, inclusão e paciência. Ele me fez enxergar o quanto uma orientação correta, uma palavra certa, uma ajuda no momento certo, pode transformar o desenvolvimento de alguém. Lucas não mudou apenas minha visão de mundo. Ele me ensinou a amar a educação.

Aos 21 anos, me mudei para Tramandaí. A distância da família e dos amigos não foi fácil, mas essa mudança transformou minha vida. Aqui construí minha casa, minha história e meu futuro. Antes de ingressar na educação, trabalhei por muitos anos no comércio, especialmente como vendedora de confecções. Foram 15 anos de dedicação intensa, aprendendo sobre responsabilidade, atendimento, respeito às pessoas e convivência humana. Embora fosse um trabalho honesto e importante, com o tempo percebi que não era ali que meu coração repousava. Faltava algo. Faltava sentido. Eu chegava em casa cansada, frustrada, sem brilho. Aquele não era o meu lugar.

Mas a vida, quando precisa nos direcionar, arruma seus próprios caminhos. A oportunidade de participar de um processo seletivo para trabalhar em uma escola pública de Imbé mudou tudo. Fui chamada para atuar como auxiliar de educação, e foi ali que conheci pela primeira vez o verdadeiro significado da palavra vocação.

Entrei na sala de aula para ajudar, mas encontrei algo muito maior: encontrei a mim mesma. E num momento simples, mas profundo, tudo mudou. Quando ouvi pela primeira vez um daqueles pequenos me chamando de “Prô”, senti meu mundo se transformar. Meus olhos marejaram, meu coração acelerou e, naquele instante, compreendi que era para isso que eu tinha nascido. Era assim que eu queria viver: ensinando, acolhendo, guiando e participando da primeira etapa da vida escolar das crianças. Aquela palavra, dita de forma tão inocente e sincera, plantou em mim um amor que só cresceu com o tempo.

Mesmo como auxiliar, muitas vezes estive sozinha à frente da turma, pois não havia professora na sala. Assumi as atividades, preparei materiais, acolhi, organizei, eduquei, dei colo, estabeleci limites e aprendi com cada um deles. Cada sorriso, cada choro, cada descoberta, cada abraço apertado, cada desenho entregue com carinho… tudo isso alimentava em mim uma alegria que jamais tinha sentido em outro lugar. Eu chegava em casa diferente: não trazia mais frustração, mas ideias, planos, sugestões, atividades para preparar. Muitas vezes levava trabalho para casa e envolvia meu marido nas tarefas — e fazia isso com prazer, com brilho nos olhos, com felicidade.

Professora Gabrielle

Foi nesse momento que comecei minha graduação em Pedagogia pela Uniasselvi, mesmo em plena pandemia. Estudei pelo EAD, com provas presenciais, para conciliar a rotina da casa e do emprego. A cada disciplina concluída, eu aplicava algo novo na sala de aula, construindo pontes entre teoria e prática. Avancei na minha formação e busquei me especializar em Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental e também em Educação Inclusiva — porque acredito de verdade que cada criança, independente de suas necessidades, merece uma educação digna, afetiva e competente.

Houve um momento em que precisei deixar a sala de aula para assumir um cargo público como servente. Embora me proporcionasse estabilidade, tempo para estudar e segurança, estar longe dos pequenos sempre doeu profundamente. Trabalhar fora da escola, longe do ambiente onde eu mais floresci, é como viver com um pedaço de mim adormecido. Foi uma etapa necessária e valiosa, mas que já cumpriu seu papel. Hoje, sinto que é hora de retomar meu caminho. É hora de voltar para onde pertenço: a sala de aula.

Ser professora, para mim, é muito mais do que ensinar conteúdos. É participar da formação humana, é ajudar a construir valores, é acompanhar o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças. A Educação Infantil é a primeira porta que se abre na vida escolar, é o início do processo de socialização, é onde surgem as primeiras descobertas, interações e desafios. É um universo rico, sensível e essencial. E eu desejo estar ali, contribuindo com cada etapa dele.

Acredito profundamente que cada criança carrega consigo um mundo inteiro a ser descoberto. Acredito no poder transformador do afeto, da escuta, da paciência, da criatividade e do respeito às diferenças. Acredito que toda criança tem voz, mesmo que ainda não domine as palavras — e que escutá-las é uma das mais belas formas de ensinar. Acredito na inclusão verdadeira, aquela que não só acolhe, mas adapta, considera e respeita cada necessidade. Acredito numa educação que transforma pessoas — e, como diz a frase de Paulo Coelho que levo comigo:
           “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Hoje, sinto-me totalmente preparada para retornar à sala de aula, aplicar os conhecimentos construídos ao longo da graduação e das especializações e contribuir novamente com o desenvolvimento das crianças. Quero apresentar um mundo novo a elas, guiá-las nos primeiros conceitos, trabalhar inclusão com responsabilidade e afeto, e viver novamente aquela emoção única que só a Educação Infantil proporciona.

Meu maior desejo profissional, no momento, é simples e profundo:

Esta sou eu.
Esta é minha história.
E este é o caminho que escolhi seguir — com amor, responsabilidade, respeito e vocação.

Um novo se aproxima, cheio de possibilidades.

Assim como na educação, cada novo ciclo é uma oportunidade de aprender, evoluir e transformar realidades com cuidado e dedicação.

Agradeço sua visita e desejo que o próximo ano seja leve, inspirador e repleto de bons caminhos.

Feliz Ano Novo! Feliz 2026!

Gabrielle Maia Pôrto